• Bruna Ramos da Fonte

EU SOU A MULHER MODERNA | #01


Eu sou aquela mulher que, dia ou outro, levanta da cama pela manhã sem saber exatamente para onde ir. Por vezes me sinto perdida e passo então os meus dias buscando descobrir, encontrar e ocupar espaços que sei que são meus, mas que nem sempre sei bem onde ficam. Não deixo de caminhar pela vida experimentando estradas diferentes daquelas que enxergam os meus olhos e estou o tempo inteiro desafiando aquele destino que um dia alguém sonhou para mim, construindo a cada passo a minha própria história.


Eu sou aquela mulher que não espera a chegada nem de um príncipe nem de uma princesa. Busco alguém de carne e osso, com dúvidas na cabeça, cicatrizes na pele e uma porção de sonhos no coração; alguém com quem eu não tenha nenhum medo ou vergonha de despir a minha própria alma, com quem não tenha que competir ou representar falsos papeis. Busco alguém com quem possa dividir todos os cantos do meu espírito imperfeitamente perfeito e, ainda assim, ter a certeza de que continuo sendo amada por ser exatamente quem sou.


"Aprendi que ser mulher é constantemente caminhar por lugares onde quase ninguém caminhou, é abrir portas onde, aparentemente, só existem paredes."

Eu sou aquela mulher cheia de sentimentos e pensamentos ambíguos. Inevitavelmente, carrego comigo a “mocinha” que me ensinaram a ser e a mulher que eu realmente sou. Apesar de todos os conflitos e dúvidas que geram na minha mente, procuro equilibrar a inevitável presença de cada uma das duas na minha vida, sempre aberta a aprender tudo aquilo que elas têm a me ensinar nessa jornada. São elas quem me ajudam a descobrir um pouco mais a cada dia sobre o que é ser mulher e, principalmente, sobre a mulher que eu realmente sou.


Eu sou aquela mulher que se cobra muito mais do que deveria e que, na busca pela sua liberdade, em alguns momentos corre o risco de acabar se limitando ainda mais. Apesar de ser forte, sou extremamente sensível e vivo assombrada pelo preconceito e pelos estereótipos que ainda fazem parte da minha rotina. Acabo fazendo as coisas com o dobro de cuidado e comprometimento, só para não correr o risco de errar e ter que ouvir aquela frase que a gente detesta: “só podia ser mulher mesmo”.


Eu sou aquela mulher que tem medo de se arrepender do peso das suas escolhas. Sou desbravadora – não por natureza, mas por necessidade –, pois aprendi que ser mulher é constantemente caminhar por lugares onde quase ninguém caminhou, é abrir portas onde, aparentemente, só existem paredes. Sei que errar faz parte desse processo, mas ainda assim – como nem sempre encontro respostas para as minhas perguntas – confesso que às vezes sinto um frio na barriga por medo de ter que conviver com as consequências de possíveis escolhas erradas.


Eu sou aquela mulher mutante, que se reinventa e se transforma sempre que a vida pede mudança. Não tenho medo de duvidar das minhas certezas e não me canso de questionar o tempo inteiro as verdades do mundo ou as minhas próprias verdades. Eu sou aquela mulher única, que não cabe em rótulos, que só quer alcançar o direito de se permitir ser aquilo que ninguém mais pode ser por mim: eu mesma. E apesar de todos os tropeços, continuo sendo aquela mulher que acorda todos os dias em busca da minha melhor e mais verdadeira versão.


Prazer, eu sou a Mulher Moderna.


Crédito da imagem: Pixabay

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