ADRIANO GRINEBERG

    RELEASE BIOGRÁFICO PARA DIVULGAÇÃO DO ÁLBUM 108 DE AUTORIA DO COMPOSITOR ADRIANO GRINEBERG.

    Para falar sobre a importância da sua contribuição para a música, bastaria dizer que Adriano Gribenerg é um dos maiores nomes do blues no nosso país e que traz em seu currículo centenas de gravações e shows ao lado de grandes nomes da música nacional e internacional – incluindo Andre Christovam, Ira!, Wanderléa, Ana Cañas, Filipe Catto, Gilberto Gil, Corey Harris, Magic Slim, John Pizzarelli e Big Time Sarah. Porém, o conhecimento da sua rica trajetória musical não seria o bastante para explicar a sonoridade apresentada em 108, o seu terceiro álbum autoral, já que a sua construção não resulta somente da indiscutível qualidade técnica do seu criador, mas essencialmente da busca pessoal da mente criativa por detrás do álbum.


    Dono de uma trajetória musical que se confunde com a sua própria história de vida, Grineberg iniciou os seus estudos musicais aos seis anos de idade. Entendendo a música como uma manifestação do eu em comunhão com a natureza e com o universo, não tardaria para que começasse a pesquisar nas mais diversas sonoridades e línguas do mundo o elo ancestral entre o homem e o mundo que habita. Simultaneamente, passaria a buscar a sua conexão consigo mesmo – e com o seu Deus interior – através do contato com a natureza, religiosidade, filosofia, artes plásticas e com todo o conhecimento plural no qual se baseia a sua personalidade e a sua música.


    Essa busca por caminhos para o autoconhecimento – e aos canais de acesso ao inconsciente individual e coletivo – o levaria a viver na Índia onde, em contato com o Guru Sri Sathya Sai Baba, desenvolveria a sua habilidade de meditação e canalização de mandalas que seriam então mescladas à sua produção musical. O encontro da sua música com a meditação, fariam com que ao longo dos anos, produzisse dez álbuns de New Age ao lado de Edu Gomes, com destaque para o álbum Sonar – um trabalho criado a partir da pesquisa dos sons produzidos pelos cetáceos – e Música para os Florais de Bach – um projeto reconhecido com o selo de autenticidade do Edward Bach Institute (Inglaterra).


    Desde o início, a carreira autoral de Grineberg constitui uma peregrinação que, a cada novo projeto, evidencia a evolução de um processo pessoal – que se expande para o âmbito de uma produção musical que se enriquece gradativamente – que entende música, natureza, espiritualidade e autoconhecimento como manifestações harmônicas que ocupam essencialmente um mesmo espaço. Este rico cenário tem como fio condutor a pluralidade das influências musicais que recebeu essencialmente do blues, mas também do jazz, soul, rock progressivo, eletrônico e das mais variadas linguagens étnicas de todo o mundo – como os mantras indianos, a poesia sufi e os pontos de candomblé.


    Se em seu primeiro álbum – Key Blues (2010) – apresentou um repertório de blues extremamente bem construído e com identidade própria, no seu segundo projeto – Blues for Africa (2013) – permitiu-se passear por um campo mais experimental que já evidenciava a vontade de fusionar as suas mais diversas influências ao blues. Resultado das suas pesquisas musicais no continente africano, Blues for Africa traz um repertório composto por canções em seis idiomas, combinando composições autorais a canções ancestrais do povo africano. A originalidade da sonoridade alcançada através da música criada pelos afro-descentes de New Orleans e da Jamaica aos ritmos tribais africanos, renderia a ele o Prêmio Profissionais da Música durante dois anos consecutivos (2016 e 2017).


    Com quase três décadas de carreira, neste terceiro álbum autoral – 108 – Grineberg chega ao ápice da sua maturidade musical compondo uma sonoridade completamente única e inovadora que daria origem ao conceito por ele nomeado como World Blues, um resultado inevitável da suas raízes do blues com a pluralidade do seu repertório cultural, espiritual e intelectual que permeiam e constroem as sete faixas do álbum. Consistente e inusitado, 108 apresenta uma linguagem própria muito bem delineada que conseguiu – com sucesso – fusionar os mais diversos elementos que influenciam a vida e a música de seu criador. Um álbum simbólico desde a sua concepção, o nome 108 foi escolhido por estar diretamente associado às múltiplas faces e nomes de Deus tanto na Índia quanto em outras regiões, enquanto que a imagem de capa resulta da combinação de uma escultura da mãe do compositor – a escultora Leida Grineberg – e um mandala de luz por ele canalizado em uma de suas passagens pela Índia.


    Na sua forma mais ancestral e sagrada, a música possuía a função de conduzir o homem às entranhas do seu universo interior para então conectá-lo ao universo exterior. 108 é o resultado desta conexão que Grineberg alcançou com o seu eu – e com a sua voz interior – e que ele agora canaliza e traduz através dos sons que compõem o repertório deste trabalho. 108 não é simplesmente mais um álbum de um artista consagrado: é uma experiência de autoconhecimento e conexão com o universo na sua mais pura forma.


    Bruna Ramos da Fonte

    Biógrafa, Escritora e Psicanalista

    © BRUNA RAMOS DA FONTE  •  2020