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"A pintura corporal que adotamos na época do Carnaval é uma das tantas heranças indígenas que fazem parte da nossa cultura – bem como uma série de outros hábitos que herdamos dos povos indígenas e que fazem parte do nosso dia-a-dia sem que tenhamos conhecimento ou consciência disso. Porém, na sua essência, para os indígenas a pintura é uma representação étnica, individual e cultural que transcende o cunho ornamental que nós conferimos à ela. Com esta série, tive a intenção de resgatar esse aspecto simbólico da pintura indígena tão pouco conhecido e valorizado pela nossa sociedade."

– Bruna Ramos da Fonte 

Autora da série 

  

CARA PINTADA (2018)

Cada cultura tem a sua própria maneira de expressar as suas características e convenções. Para o indígena, é através da representação de desenhos compostos por traços, formas geométricas e figuras de animais – desenhadas com elementos como o urucum, tinta de jenipapo ou carvão – que ele expressa e representa a sua individualidade, a sua etnia, o seu estado civil e a posição hierárquica ocupada no contexto do grupo ao qual pertence. 

 

Realizada durante uma temporada com os Pataxós da aldeia Txag'Rú Mirawê no sul da Bahia, essa série resulta de um estudo antropológico da autora Bruna Ramos da Fonte sobre a relevância e a simbologia das pinturas indígenas no contexto de uma cultura ancestral que vem se perdendo através dos tempo e da qual pouco temos conhecimento nos dias de hoje. Cara Pintada representa um importante registro de um aspecto fundamental da identidade cultural Pataxó. 

© BRUNA RAMOS DA FONTE  •  2020