Bruna Ramos da Fonte é biógrafa, escritora, 

escritoterapeuta, fotógrafa, letrista, palestrante, pesquisadora musical e Psicanalista. 

É criadora do método de Análise Biográfica. 

"Sou essencialmente biógrafa e busco, em diferentes linguagens, distintas maneiras de biografar. Seja na literatura, na fotografia ou na Psicanálise, todo o meu trabalho tem a biografia como fio condutor. Da busca pela compreensão dos elementos que compõem o universo ao nosso redor – e do seu papel determinante na construção da biografia de cada um – nascem observações e descobertas que expresso através da literatura e da fotografia. Do entendimento que o único caminho para que nós possamos conduzir a vida de maneira consciente é aprendendo a interpretar a nossa própria biografia – através do processo de investigação e compreensão das nossas origens – nasce o meu trabalho na Psicanálise que originou o Método de Análise Biográfica."

Natural de São Bernardo do Campo (SP), aos oito anos de idade Bruna Ramos da Fonte iniciou os seus estudos musicais com a professora Maria Auxiliadora Guimarães, uma das maiores referências musicais da região do Grande ABC. Datam dessa época, as suas primeiras letras de música. Nos anos seguintes, prosseguiria os seus estudos com as violinistas Alexandra Fujinami e Dorotheia Elke Gruber e com a pianista Antonieta Soldani Chedid. Aluna do tradicional Conservatório Santa Cecília de Santo André, seria durante os estudos de piano clássico que nasceria o seu interesse pela pesquisa musical e biográfica.

 

Aos dez anos de idade, teve o seu primeiro texto literário publicado em uma antologia. Cinco anos depois, lançaria o seu primeiro projeto individual – O Réquiem – que posteriormente daria origem ao romance biográfico Um Réquiem para Mozart. Baseado nos últimos seis meses de vida do compositor austríaco W. A. Mozart – e tendo como pano de fundo o mistério que envolve a encomenda do seu Réquiem –, o livro foi escrito a convite do Consulado Geral da Áustria em São Paulo e prefaciado pelo então Embaixador da Áustria no Brasil, Werner Brandstetter. Ainda inédito, na época de sua escrita, Um Réquiem para Mozart chamaria ainda a atenção de grandes personalidades do meio musical e da literatura como o escritor Artur da Távola e o flautista Altamiro Carrilho.

 

Como uma consequência natural do seu trabalho como pesquisadora, iniciou a sua carreira como entrevistadora no ano de 2007, conduzindo entrevistas para diversos veículos e atuando também como mediadora de mesas redondas e debates artísticos e culturais. Desde então, entrevistou alguns dos maiores ícones do cenário artístico brasileiro, entre eles: Ney Matogrosso, Marco Ricca, Zizi Possi, Roberto Menescal, Miéle, Cacá Diegues, Pedro Rovai, Moogie Canazio, Paulo Coelho, Sidney Magal, Max Pierre, Ivan Lins, Gabriel Braga Nunes, J. R. Duran, Sérgio Reis, Jayme Monjardim, Raul Gil, André Midani, Oswaldo Montenegro, Leila Pinheiro, Marcos Valle e Carlos Lyra.

 

Entre os anos de 2007 e 2008, esteve à frente da sua própria revista eletrônica bilíngue iMagazine – uma das primeiras do gênero no Brasil – que contava com nomes como Roberto Shinyashiki, Fabio Arruda e Reinaldo Polito no seu time de colaboradores. Atuando nesta publicação como editora e entrevistadora, seria nesse período que conheceria Roberto Menescal – um dos criadores da Bossa Nova – sobre quem escreveria dois dos seus projetos biográficos: O Barquinho Vai... Roberto Menescal e suas histórias (Irmãos Vitale, 2010) e Essa tal de Bossa Nova (Rocco/Prumo, 2012). Resultado de cinco anos de pesquisa e trabalho em parceria com o compositor, ambos os livros têm prefácio assinado pelo bestseller brasileiro Paulo Coelho e seriam responsáveis por lançar no mercado editorial uma estética literária ainda pouco explorada na produção biográfica brasileira daquele momento: a crônica biográfica. 

Sempre em busca dos mais variados suportes e linguagens para contar histórias e biografar, nos anos seguintes, a sua versatilidade e pluralidade fariam com que transitasse pelas mais diversas esferas que compõem a produção e a realização de projetos áudio-visuais, agregando conhecimento e experiência no desenvolvimento do processo de criação desde a concepção da ideia até a realização do projeto final. Durante o ano de 2010 apresentou e coproduziu o programa de entrevistas Papo de Músico – transmitido pela Rádio USP – ao lado do crítico musical Toninho Spessoto. A partir de 2012 passaria a atuar também como pesquisadora histórico-biográfica para projetos de cinema, rádio e televisão, além de redigir argumentos e roteiros. No ano de 2013, co-produziu o curta-metragem Sons do Brasil: Roberto Menescal, que integra a série Petites Planètes do diretor francês Vincent Moon.

Fotógrafa desde 2005, o seu trabalho integra alguns dos acervos fotográficos mais importantes da América Latina – incluindo a prestigiada Colección Arte de Nuestra América Haydee Santamaría da Casa de las Américas de Havana (Cuba). É autora do projeto Nosotros: Retratos de América, um trabalho de documentação da realidade no continente americano em tempos de globalização. Reunindo diferentes aspectos da riqueza cultural do nosso povo em cenas da vida cotidiana que revelam uma identidade tão diversa, mas ao mesmo tempo tão bem definida, o projeto estreou no final de 2013, na Casa de las Américas a convite da Embaixada do Brasil em Havana, com a série Vidigal: Retratos de uma Favela. Na ocasião, Bruna foi a única artista brasileira a representar o país no Mês da Cultura Brasileira em Cuba. É de sua autoria também a série Trilhos que, tendo como tema os trens abandonados nas ferrovias de São Paulo e com a apresentação assinada pelo cantor e compositor Paulinho Moska, entre maio de 2011 e dezembro de 2012 foi vista por mais de dois milhões de pessoas somente no Brasil. No ano de 2011, com a série Destroços documentou o cenário dos deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro seis meses depois deste acontecimento, a fim de denunciar o descaso das autoridades com as vítimas da tragédia. No ano de 2018, documento os hábitos e o dia-a-dia de uma aldeia de indígenas da etnia Pataxó no sul da Bahia com a série Cara Pintada. É autora do livro fotográfico Havana 2013 – uma fotobiografia que, prefaciado pelo jornalista Paulo Moreira, tem o seu lançamento previsto para o segundo semestre de 2020.

No ano de 2017, lançou o livro Sidney Magal: muito mais que um Amante Latino (Irmãos Vitale, 2017) escrito em comemoração aos 50 anos de carreira do cantor Sidney Magal. Com a intenção de registrar não somente a história escrita do biografado, mas também a sua história visual, neste projeto aliou a sua experiência como fotógrafa à literatura a fim de realizar a curadoria da fotobiografia que ilustra o livro do início ao final. A combinação harmônica entre palavras e imagens faz de Sidney Magal: muito mais que um Amante Latino um material biográfico único.

 

Como letrista, em 2010 assinou a letra da música Bruma Guia, composta em parceria com Roberto Menescal. Em 2015, iniciou a sua parceria com o compositor gaúcho Killy Freitas com quem compõe atualmente o repertório para um álbum autoral.

No campo da Psicanálise, atua como Psicanalista à frente do seu consultório na cidade de Santo André. É criadora do Método de Análise Biográfica para autoconhecimento e construção de projeto de vida, e atua aplicando a sua metodologia de trabalho através da realização de cursos, palestras, vivências e mentorias em todo o país. É criadora também da sua própria metodologia em Escritoterapia, um processo analítico conduzido através da prática escrita.

Está previsto para o segundo semestre de 2020 o lançamento do seu conto de estreia – A Bailarina e o Camelô – ilustrado pela artista plástica Tânia Turcato. 

© BRUNA RAMOS DA FONTE  •  2020